Warren Buffett x Jorge Paulo Lemann – Será que o embate entre os titãs começou?

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Warren Buffett x Jorge Paulo Lemann

Será que o embate entre os titãs começou?

Estávamos no, não tão longínquo, ano de 2013 quando o mega empreendedor e multibilionário Warren Buffet, durante uma entrevira a rede americana CNBC, confirmou o que o mercado já especulava há tempos.

O fabricante americano de condimentos Heinz entrara em um acordo para vender seu capital para as firmas de investimento Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, e 3G Capital, por US$ 28 bilhões. O valor equivale a US$ 72,50 por ação (um prêmio de 20% sobre o fechamento do pregão do dia anterior). A Berkshire Hathaway e o 3G Capital passaram a ter, cada um, US$ 4,5 bilhões de participação no capital social da Heinz.

A firma de investimentos de Buffett, porém, recebeu uma fatia adicional de US$ 8 bilhões em papéis preferenciais, em contrapartida, o fundo 3G, comandado pelos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, ficou encarregado da administração da empresa adquirida.

A notícia foi recebida com alegria pelo mercado e apreensão por parte dos trabalhadores da companhia, afinal, o grupo 3G ficara famoso não só por sua arrojada expansão global, mas também por sua política extremamente agressiva de redução de custos.

Enquanto Buffett fez grande parte de sua fortuna por meio do uso do float gerado nas operações de seguros da Berkshire Hathaway – Buffett utilizava o dinheiro que os segurados detêm temporariamente até que as reivindicações sejam pagas para financiar os seus investimentos – em um processo lento e seguro.

A estratégia da 3G sempre foi mais agressiva, o modelo Low Profile instituído pelo grupo surgira ainda no banco Garantia e foi sendo modelado, adaptado e alterado com base em diversas influências como o Goldman Sachs, o Walmart e a GE.

“Nossa cultura teve origem no Banco Garantia, onde estávamos o Marcel, o Beto e eu (Jorge Paulo), além de outros sócios. Copiamos o que achávamos eficiente e fomos adaptando ao nosso jeito. Houve três influências grandes: o Goldman Sachs, que nos ensinou a cultura meritocrática, a treinar pessoas, a lhes dar oportunidades e a cobrar trabalho duro; o Walmart, do Sam Walton; e a GE. “

O “Modelo 3G” de aquisições consiste em alguns princípios bem simples, mas de difícil incorporação e aplicação:

  1. As aquisições são feitas com base em investimentos de terceiros, se não em seu todo, em grande parte;
  2. Os investimentos dos terceiros são pagos com base no lucro das empresas, acrescidos de significativos bônus, até que o grupo 3G se torne dono da companhia;
  3. Para que esse processo seja possível, a empresa adquirida precisa aumentar consideravelmente sua margem de lucro, de forma que os pagamentos aos investidores sejam concluídos no menor espaço de tempo possível;
  4. A quitação de todos os investimentos no menor espaço de tempo possível é crucial para que os juros e os bônus sobre os investimentos não tornem a aquisição impossível;

Para obtenção de tamanho lucro em um curto período, o 3G sempre buscou uma redução drástica nos custos de produção, o que costumeiramente, era obtido com uma redução proporcional no número de trabalhadores. Sendo assim, o que tirava o sono de grande parte dos funcionários daquela que em pouco tempo se tornaria a The Kraft Heinz Company eram as demissões que estariam a caminho.

São justamente essas demissões que podem estar criando as primeiras rusgas na relação entre Lemann e Buffet que remonta ao final dos anos 1990, quando os dois ocupavam cadeirasno conselho de administração da Gillette.

Em recente relatório, a Berkshire expos de forma clara a seus acionistas, o que já vinha sendo discutido de forma velada dentro da companhia. Seu desconforto com a política de “orçamento base zero” do 3G.

Obviamente, com o intuito de acalmar os mercados, Buffett fez uma pronta e rápida declaração na reunião anual da Berkshire ocorrida a poucos dias em Nebraska.

“há uma boa chance de que nós voltemos a fazer mais, e talvez, coisas maiores com o 3G.”

Ele, contudo, reconheceu não gostar de impor os tipos de cortes profundos, incluindo a perda milhares de empregos, pelos quais o 3G é conhecido.

“A mudança é dolorosa para muita gente, e eu prefiro gastar meus dias não fazendo esse tipo de coisa”, disse ele.

A verdade, é que por mais que, aparentemente, a situação entre Berkshire e 3G esteja sobre controle, ela já se deteriorou muito em relação ao que havia em 2013. E por mais que não goste, Buffett entende o papel do 3G.

“…eu acho que é absolutamente essencial para a América que nos tornemos mais produtivos.”

Entretanto, em tempos de “make America grate again”, talvez, existam interesses demais a serem atendidos pelo me investidor, o que pode fazer com que a situação entre Buffett e Lemann ainda piorem um pouco antes de melhorarem.

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