A mão de obra brasileira é a mais produtiva do mundo!

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Produtividade

A mão de obra brasileira é a mais produtiva do mundo!

No exato momento em que terminei de escrever esse título, consegui visualizar bem os bárbaros com tochas e estribos batendo a minha porta (rs!). Como assim?!?!?! Diriam eles. A tempos ouço ser propagado o fato de que a mão de obra brasileira é uma das piores do mundo, que nossa produtividade é 1/3, ¼, 1/5 da americana! Que a culpa disso são os vários anos de estudo que o trabalhador médio americano tem a mais que o brasileiro! Que nosso problema é educação, ou a falta desta!

Como, a essa altura do campeonato, você vem me dizer que o trabalhador brasileiro é o mais produtivo do mundo?!?!?!?! Como??!?!?!

… (pausa) …

Bem, agora que você, caro leitor, já expôs toda a sua fúria, indignação, revolta, amargura e ódio por este humilde colunista, me permita uma única pergunta: Você sabe como é medida a produtividade nesses estudos?

Deu para sentir daqui o frio na sua espinha, deixe-me então ajudá-lo. A matemática é muito simples, sendo assim, podemos aqui apresentar, a fórmula básica de todas essas análises:

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A princípio, você pode não ter visto nada demais, afinal, Produto Interno Bruto dividido por total de trabalhadores parece uma fórmula bastante razoável, no entanto, como diz o ditado: “O diabo está nos detalhes. ”

Cabe aqui ressaltar, que essa fórmula é utilizada pela maioria das empresas e jornais que avaliam o assunto. Organismos como Conference Board e Bureau of Labor Statistics, principais fontes de consulta sobre o tema, utilizam-na a anos e não existe aqui, qualquer teoria conspiratória, Lulo-petista ou afim, o problema, é que esse cálculo traz em seu cerne, a possibilidade de distorções gigantescas e de interpretações frágeis.

“Afinal, não existem respostas simples para problemas complexos.”

A principal destas interpretações frágeis é a de que a baixa produtividade identificada na equação é derivada do trabalhador, não de inúmeros fatores que desdobrados podem chegar até a tão famigerada divisão internacional do trabalho da década de 50. Segundo Otto Nogami, professor de economia do Insper, “não se pode analisar apenas o indivíduo. ” Se trabalhasse sob as mesmas condições de um trabalhador americano – como infraestrutura, transporte e tecnologia – “é provável que o trabalhador brasileiro produziria bem mais do que consegue produzir”.

Mais do que isso, um olhar mais crítico sobre a fórmula, deixa bem claro que, a produtividade descrita, nada tem a ver com a produção, mas sim com a quantidade de riqueza gerada por determinado país.

Vamos então a um exemplo que ilustra bem a diferença entre riqueza gerada e produtividade do trabalhador. Consideremos duas fábricas A e B que produzam algo que não necessite de muita tecnologia, como por exemplo, doce de banana. Ambas produzem 10 quilos de doce por dia, a fábrica A com 8 trabalhadores e a fábrica B com 10 trabalhadores.

Poderíamos entender que o trabalhador da fábrica A é mais produtivo que o da fábrica B já que a Fábrica A produz a mesma quantidade de doce com menos gente, correto?

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No entanto, considerando a fórmula de produtividade utilizada pelos institutos e organismos que abordam o tema produtividade no trabalho, não nos ateríamos ao quanto é produzido, mas sim, a riqueza gerada (PIB). Nesse caso, se por qualquer motivo, a fábrica A venda seu doce a R$ 10,00/kg e a fábrica B o venda a R$ 15,00/kg, a produtividade da fábrica B será maior do que a da fábrica A, mesmo que seus trabalhadores se dediquem menos, sejam menos eficientes e menos produtivos.

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Essa distorção gerada pela confusão entre produtividade do trabalhador e quantidade de riqueza gerada é a mãe de todas as interpretações frágeis, mas amplamente noticiadas, sobre a produtividade do trabalhador brasileiro. Neste contexto, não importa o quanto você produz, mas sim o quanto de riqueza você está gerando.

Agora, que você já sabe como essa equação é feita, pense no mundo real, avalie o PIB de uma nação que seja composto basicamente de grão, frutas, agronegócio e outras commodities. Agora compare com o PIB americano composto de computadores, aviões, carros e outros itens de altíssima tecnologia. Reflita e conclua você, depois disso, se você ainda acha que o trabalhador é que é o problema dessa equação?!?!

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